Thursday, June 26, 2008

IV (dos livres)

janeiro chegou mais cedo
e com toda a gentileza
típica dos ímpares
me despedaçou.

Tuesday, June 24, 2008

III (dos livres)

o verão vai embora do meu corpo
e leva junto o caminho que as pontas dos teus dedos
percorreu na minha pele.

Wednesday, May 28, 2008

balzaquiana

Uma delícia de encontrar. Falava tanto e com tanta propriedade que até eu acreditei, no começo, que aquilo era tudo verdade. Verdade, nada. Tem gente que precisa de uns tombos pra se mostrar inteiramente - e digo pra todos: ser autêntico é ser feliz. Vide a balzaquiana. Agora está contente e amando, talvez pela primeira vez. Um amor que me emocionou tanto que até acordou um cantinho romântico em mim e me encheu de lágrimas nos olhos. Nunca vi tanto amor em tão poucas palavras, e espero um dia poder sentir um amor assim como esse que jorra do peito dela e que tem vida própria. Ela está até mais bonita. Mais velha, como todo mundo, mas mais limpa, mais séria e mais madura. E depois de ouvir todas as suas teorias geracionais, espirituais e olhar os desenhos da filha prodígio, me dei conta que esse tempo que passou tão depressa nos fez bem.

Thursday, May 15, 2008

tempo de criar

- (...)além de que a virada do século dezenove proo século vinte foi marcada por invenções revolucionárias - tinha aí a eletricidade, o motor, que vai ser usado nos carros, tinha
- a roda, também...

gêmeos

-... e até hoje os americanos pensam que foram os irmãos Wright que inventaram o avião, embora Santos Dumont já seja reconhecido em alguns lugares.
- não era os irmãos Grimm?

Tuesday, May 06, 2008

poil de carotte

Não sei como nem por quê, mas ontem me lembrei do primeiro romance que li na vida. Foi "Foguinho", do Jules Renard, aos seis anos. Sentava no sofá em que batia sol, depois do almoço, na casa do meu avô e lia por horas, ou até a hora de ir pro colégio. Não entendia muito bem o que se passava, só achava divertido ficar ali, advinhando o significado de palavras novas e acompanhando as travessuras do menino, principalmente porque traçava um paralelo com um coleguinha que só pode ser explicado pela cor do cabelo. A edição tinha ilustrações sombrias, como a do capítulo "O Cofre", na qual aparecem Foguinho, careca, segurando o pulso de Matilde, nos fundos da casa dela, enquanto, da janela, a Sra. Lepic ralha com os dois. A casa aparenta ser suja, a grama está grande e o fato de Foguinho aparecer careca me dava arrepios. Hoje, procurando entre outras valiosas heranças da farta biblioteca do meu avô, encontrei o livro em condições lamentáveis, mas estou reformando-o e pretendo lê-lo novamente.

Friday, April 25, 2008

Então, fiz minha primeira matéria. Segue:

"A rua possível
A história da trabalhadora que está nas ruas

Os cabelos brancos já começam a surgir na cabeça e um filho pequeno ainda requer a atenção da mãe que, cansada, senta estrategicamente na saída do supermercado. “Eu sei que é errado estar na rua – eu quero parar”, diz Dona Maria, 34, sobre sua situação. Natural de Três Irmãos, a ex-operária viveu em Novo Hamburgo, onde trabalhava na indústria calçadista, até que, por conta da crise de 1995, veio com o marido para Porto Alegre, onde se estabeleceram no Morro Santana, na zona leste da cidade. Hoje, seu marido é papeleiro. Quando questionada sobre sua escolaridade, Maria diz que ”naquela época não tinha isso de ficar pedindo, eu não fui educada assim. Fiz até terceira série porque eu cuidava dos meus irmãos.” Com cinco filhos, ela logo se explica “já fiz ligadura, depois desse aqui”, apontando para Iarley (homenagem ao jogador do Internacional), de um ano. Por causa do filho, Dona Maria diz que não pode trabalhar: “Eu perdi o serviço porque a creche fazia inscrição em Novembro e quando eu fui já não tinha mais. Mas ano que vem ele entra.” Andressa, 5,segunda mais nova sonha em ser cantora. “Essa aí canta tudinho, sabe todas as músicas da novela” conta a mãe, orgulhosa."

Tuesday, April 15, 2008

pros universitários

Me avisaram tanto que eu achei que era brincadeira que a Ciências Sociais era cheia de (anti)partidarismos. Não há uma só reunião na qual pelo menos 50% + 1 consigam se entender, e aí nada acontece. Uns tem delírios de luta contra a ditadura (da coca-cola, do mc donalds, do orkut), e mencionam as grades de vidro a cada cinco linhas de discurso. Outros, ainda na linha "da luta", falam da constante submissão ao sistema (e de como a única maneira de haver paz é a destruição de todo poder). Ainda outros enchem o saco e começam a dizer gritos de guerra, baixinho ou em eventuais pausas (fora neoliberais! a universidade é nossa!). Vê bem, não to criticando nenhum grupo em especial - até porque, se estivesse, já teria sido linchada.
Saio das reuniões sempre frustrada e arrependida, e tenho certeza que não sou a única, nem uma em dez. Eu vejo que todos saem descontentes e ainda assim - e cansei de me perguntar por quê - tudo continua do mesmo jeito.
Acho que fui eu, mesmo, que enchi da política.

Saturday, March 22, 2008

II (dos livres)

como quem olha um quadro,
te entendo aos poucos.
parece que com os anos vamos ficando mais parecidas, em vez de iguais.
Brincava com a chave enquanto pensava qual foi a última vez que tinha entrado no apartamento. Quarta ou quinta, tinha ido levar as roupas do hospital pra lavar. Quatrocentos e onze, o número repetido diversas vezes, em tantos ligares, pensava - e que coincidência. Abriu a porta e sentiu o frio na barriga de quem entra num sótão velho. Que estranho, há três dias era só uma casa. A estante cheia de livros, pensou quantos teria lido, e se ele se lembrava. Era ela que ia, a filha escolhida, comprar os livros na praça da Alfândega com o pai. E depois liam e discutiam, esse personagem é isso ou aquilo. Não é que ele não fosse uma boa pessoa, ele só era teimoso. Arrogante, chamavam. Mas na verdade era um intelectual, interessado nos mais diversos temas: mineralogia, engenharia naval, psicologia, química, canários, peixes...
Foi até o quarto e começou a encaixotar as roupas. Achou tudo, quanta coisa guardada e umas até sujas, o cheiro de cigarro. Encaixotando viu as cadernetas, várias. Globo, pequeninha. Sabia rue o pai sempre anotava, pra não esquecer, da lista do super às resoluções de ano novo. Numa dessa achou, escondidinho no meio de todo o resto da vida senhora do velho: "comprar: 3 isqueiros brancos, 3 isqueiros coloridos"
E lendo isso não pôde, não pode, pensou. Que era, mesmo, e ele queria comprar porque ela, ela sempre roubava os isqueiros do pai. Botava na bolsa e voltava sempre de isqueiro perdido de novo. E ele, sempre muito franco. Sempre dizia o que pensava e propôs que teria sempre isqueiros brancos, que seriam os dele e portanto intocáveis, e isqueiros coloridos, que seriam os próprios para roubo. Ela deitou na cama e queria chamar pai, eu te devolvo todos os teus isqueiros, mas ela sentiu o cheiro no travesseiro e não pôde.
Na saída, pegou um livro da prateleira, pensando que tantos ainda havia para encaixotar.

Tuesday, February 26, 2008

I (dos livres)

De sonho sem po' e' destino de todos -
quem for, pode sentar e tomar meu cha'
de erva doce ou orange pekoe,
e usar da minha hospitalidade.
Limpo a casa, o mar me escuta
fez frio e o que aquece aqui dentro e' sao essas ideias
de mim-mesma.
As arvores, que feias, tao sem-folhas que sao canicos,
Mas sem jeito, sem a tua prosa, nem vento nordeste
que ficou la' naquela tarde em que eu te contei
Como fazer um lar.

Okey Doke

Thursday, February 07, 2008

Se eu dissesse que nao importasse, e se eu usasse a minha gramatica francesa pra tentar te mostrar o quanto eu (nao) aprendi de escrita sofisticada na minha vida de leitora de blogs e contra-capas da Zero Hora tu me dirias que esperava por tudo isso, e nada mais. Mas se eu te contasse uma a uma cada frase que eu ouvi na minha vida ( e isso levaria mais uma vida, correto?) tu haverias de conver que as algumas seriam as do disk-mtv da Rulia Rones. Quais? Diz-me tu.

Thursday, December 13, 2007

Mas é frustrante até demais não passar por causa da prova de Portugês. Não, de verdade. É ridículo. Me falaram em sabotagem, me falaram que fui bem, me falaram que nem vale a pena se estressar com vestibular. Não sei bem em quem acreditar, mas a verdade é que é a última coisa na qual eu quero pensar no momento. Tenho sentido falta de ler coisa boa, boa de não querer terminar o livro. E honestamente, quando tu tem uma aula sobre um livro a última coisa que tu quer fazer é ler o tal livro. Tentei ler todos antes das aulas, mas nenhum deu certo - porque aula, trabalho, aula. O negócio é que as aulas - que dou - estão chegando ao fim, e só depois vem o reveillon, a federal, e tudo isso que exige esforço físico.
Por fim, confere o o podcast desses caras aqui http://braillehits.blogspot.com/ .

Sunday, October 21, 2007

A Feira do Livro sempre foi um dos eventos - se não o - mais importantes do ano, pra mim. E me lembra muito aquelas tardes que se passa na casa da amiga, jogando videogueime e comendo o lanchinho que a empregada preparou. Tenho me recordado muito dessas tardes ultimamente. Elas têm aparecido nos momentos mais inesperados, também - por exemplo, quando li no Correio sobre a Feira e criei esse post todo.

Wednesday, October 10, 2007

De tanto trabalhar, ando cansada e sem muito tempo. Aquela sensação de que se dorme pra acordar, se acorda pra dormir. Uma falta de leveza no diariamente. Aí resolvi que ir ao teatro era a melhor opção, e fui. Vi Margaridas Enlatadas, ali na Alziro Azevedo. Boa peça, pra mim que gosto de ver as idéias dos outros sobre as coisas que leio. Diria pra irem ver (mas a temporada já acabou), porque gosto também de debater com quem leu e viu.

Saturday, September 29, 2007

Eu sempre gostei de escrever cartas. Escrevia cartinha pra todo mundo (se tu não ganhou também não quer dizer que eu não goste de ti), e agora me voltou a mania. Acho que o que me atrai é a idéia de um pedacinho de papel cruzar continentes e passar pelas mãos de tantas pessoas. Tem também o fato de que esse papel estava ali, no meu caderno, e vai estar aí, na tua pasta, quando tu leres e decidires que vale a pena guardar (ou não). Ano passado eu escrevi pra algumas pessoas daqui freqüentemente, mas algumas cartas eu sei que nunca chegaram. E essa é uma das piores decepções que há. Tu vai lá e escreve uma carta com todo o capricho e emoção e aí o sujeito lá responsável por essas coisas resolve que não tem selos o suficiente pro peso, ou que o meu cedilha parece um sinal de vazio e que então a carta não pode seguir adiante. Daí eu recebi de volta uma dessas e trouxe comigo. Tá ali no meu quarto, em cima duma mesinha, esperando a coragem pra ser levada pessoalmente. É uma sensação estrnha, essa de ter algo que nem se sente mais escrito, como em pedra, te olhando, te lembrando daquele exato momento - do qual ela nem precisaria ser lembrada´, a imagem na retina - em que tu escreveu as palavras mais bonitas que tu encontrou.

Monday, September 24, 2007

Casa é onde a gente quer que seja, ou pelo menos é o que eu penso. Claro que tem gente que só se sente em casa quando sente o cheiro do seu travesseiro, e não suporta mais de dois dias num hotel mas a minha casa tem sido muito dentro de mim, ultimamente. É que quando a gente se solta pra vida, tem um pouco de medo de se perder, então leva tudo de valioso (ou sagrado) consigo - e assim também se aprende a discernir o essencial do supérfluo.
Tenho aplicado a teoria da simplicidade pro resto da vida, também. Coisas, pessoas, ações. Saio quando realmente tenho vontade, vejo quem eu quero e tenho prazer em ver. Cuido do que é especial, e parei de dar atenção àquilo que não me faz bem.
É uma peneira fina pra algumas coisas, mas que relaxa em outras. Felicidade não falta.

Wednesday, May 23, 2007

Trabalhar de verdade, nunca tinha trabalhado. Assim, trabalho que exige total esforco mental - e, as vezes, fisico - e a minha atenção constante. Antes eu tinha trabalhado numa lojinha de decoração ali na Fernandes, mas eu passava mais tempo lendo do que qualquer outra coisa. Agora não. Agora tem que pensar e ler a respeito, planejar a aula e jogos que prendam a atenção do pessoal. Tem que fazer relatório e manter as chamadas em dia, pra mostrar pra chefe na reunião.
É que eu gosto de gente. Gosto de ensinar também, mas sei que dar aula de inglês não é lá um grande talento, que qualquer um pode fazer e tudo mais. Mas eu acho que não é nada mal. Me dá uma graninha só minha, me faz pensar sobre tópicos que eu jamais pensaria ( claro que alguns dias são bem cretinos, como "superstar life", "ovnis" e, pior de todos, "daily life & routine") e me dá a oportunidade de ver as minhas próprias falhas. Mas o melhor de tudo é o excercício da paciêcia e do carisma. Porque pra ser carismático tem que ser paciente e ir deixando as coisas acontecerem, na minha opinião. A idolatração dos alunos e até as eventuais cantadas (que não deixam de levantar a auto-estima) se tornam secundárias perto da realização de que se está conseguindo ensinar algo à alguém, no ritmo da pessoa, sem nenhum obstáculo. Bem mágico.

Friday, May 04, 2007

"Today's fortune"

Nao tem quem possa prever o meu destino. Que eu gosto de muita coisa eu ja sabia, mas que eu posso faze-las, nao. Entao nao sei se vou fazer vestibular pra Historia e apostar todas as fichas na diplomacia, ou Relacoes Internacionais ou Sociologia e tambem tentar Rio Branco, ou o governo federal. Ou fazer Fotografia ou Teatro. Ou Letras. Ou. Nao e' um grande problema, mas me incomoda nao saber mais o que eu quero.
Comeco a trabalhar de verdade dia 14, e ate la, as fotos sao esporadicas, mas intensas. Quarta-feira foram quatro horas de esportes. Baseball, lacrosse, atletismo, tenis e softball. As fotos tao todas na internet, mas nao tem credito pras minhas. Esse finde e' familia & ermã em Indianapoli-polis.